Arquivo do dia: 26 de dezembro de 2011

Eu

Somos duas pessoas. Uma procura a paz de entender a si própria. A outra parece ser bem decidida, resolvida. Que sabe muito bem o onde quer chegar. Conhece seus medos, porém, muitas vezes “finge não saber o caminho que vai trilhar” mas no fundo no fundo sabe e sabe bem onde tudo vai terminar. Por diversas vezes chega simplesmente a ignorar o arrependimento que sempre afeta meu outro eu que é de família, que é consequente e  vive a sonhar em ser tudo aquilo que anota em seus pensamentos, guardanapos e folhas de papel. É daqueles que não suporta ver o mal de seus semelhantes por isso muito repudia tanto meu outro eu. Meu outro eu quando anoitece me engana, é calado é certeiro, atrevido e sobranceiro. Faz coisas que até o coisa ruim dúvida. Já no cair da noite, se transforma. Até meu próprio eu, intriga com meu outro eu. Acha que ele não será capaz de tamanha destreza, facilidade de no momento em que decide sua trégua incessantemente sem descanso, principalmente com mulheres, daquelas que são damas da noite e não do dia. Consegue de tal modo anular tal feito que descanso, é palavra que não existe em seu vocabulário. E mais uma vez, pela milésima vez, é surpreendido com suas façanhas e seduções. E não dispõe de muita humildade não. Enfim meu outro eu, consegue ser mais forte do que eu. Por se atrativo e viver o tempo todo em zona de conforto. Mas meu eu, também tem forças e faz com que meu outro eu entenda, as vezes que nem tudo é só folia, que nem todo dia é sábado e que temos sim, responsabilidades. Um é adulto, o outro, menino. O menino quando sobressai o adulto, muitas vezes passa uma imagem deturpada de conduta do meu eu que é adulto e com bastante dificuldade o salva sempre nos quarenta e cinco minutos do segundo tempo ou até mesmo na prorrogação do jogo da vida. Um é consciente, o outro, inconsequente. Um é bagunceiro, o outro, organizado. Um é rueiro, noturno, de autoestima baixa que parece alta mas, não é. Um é pai, é filho, é caseiro e estudioso. O outro é meio pervertido. Um tanto depravado, desligado e desprendido enfim, não diferente de todos, um é diabo e o outro santo. Diabo, talvez por ser depressivo e carregar o medo de mais uma vez jogar para perder, embora tenha consciência de que perder também é ganhar e que ganhar também é perder. Por muitas vezes perde a chance de se manter calado. Por não saber ou temer o ato esperar. Mas meu eu que o salva, o salva porque sabe que ele também é filho de Deus. Vive longe desse mundo externo e busca entender a natureza a sua volta. A todo tempo, busca ser melhor pessoa e prontifica sua arte para um algo a mais a serviço da sociedade. Esse meu eu é de verdade. Não se apega em hipocrisias nem se apega em falsidades. É do samba, é dá cidade, é do terreiro, é da comunidade. mas ambos me atraem, ambos fazem parte da minha verdade, ambos trazem-me grandes alegrias, tristezas e felicidades. Deus nos abençoe, eu, “somos” uma pessoa normal.


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