Somos duas pessoas. Uma procura a paz de entender a si própria. A outra parece ser bem decidida, resolvida. Que sabe muito bem o onde quer chegar. Conhece seus medos, porém, muitas vezes “finge não saber o caminho que vai trilhar” mas no fundo no fundo sabe e sabe bem onde tudo vai terminar. Por diversas vezes chega simplesmente a ignorar o arrependimento que sempre afeta meu outro eu que é de família, que é consequente e vive a sonhar em ser tudo aquilo que anota em seus pensamentos, guardanapos e folhas de papel. É daqueles que não suporta ver o mal de seus semelhantes por isso muito repudia tanto meu outro eu. Meu outro eu quando anoitece me engana, é calado é certeiro, atrevido e sobranceiro. Faz coisas que até o coisa ruim dúvida. Já no cair da noite, se transforma. Até meu próprio eu, intriga com meu outro eu. Acha que ele não será capaz de tamanha destreza, facilidade de no momento em que decide sua trégua incessantemente sem descanso, principalmente com mulheres, daquelas que são damas da noite e não do dia. Consegue de tal modo anular tal feito que descanso, é palavra que não existe em seu vocabulário. E mais uma vez, pela milésima vez, é surpreendido com suas façanhas e seduções. E não dispõe de muita humildade não. Enfim meu outro eu, consegue ser mais forte do que eu. Por se atrativo e viver o tempo todo em zona de conforto. Mas meu eu, também tem forças e faz com que meu outro eu entenda, as vezes que nem tudo é só folia, que nem todo dia é sábado e que temos sim, responsabilidades. Um é adulto, o outro, menino. O menino quando sobressai o adulto, muitas vezes passa uma imagem deturpada de conduta do meu eu que é adulto e com bastante dificuldade o salva sempre nos quarenta e cinco minutos do segundo tempo ou até mesmo na prorrogação do jogo da vida. Um é consciente, o outro, inconsequente. Um é bagunceiro, o outro, organizado. Um é rueiro, noturno, de autoestima baixa que parece alta mas, não é. Um é pai, é filho, é caseiro e estudioso. O outro é meio pervertido. Um tanto depravado, desligado e desprendido enfim, não diferente de todos, um é diabo e o outro santo. Diabo, talvez por ser depressivo e carregar o medo de mais uma vez jogar para perder, embora tenha consciência de que perder também é ganhar e que ganhar também é perder. Por muitas vezes perde a chance de se manter calado. Por não saber ou temer o ato esperar. Mas meu eu que o salva, o salva porque sabe que ele também é filho de Deus. Vive longe desse mundo externo e busca entender a natureza a sua volta. A todo tempo, busca ser melhor pessoa e prontifica sua arte para um algo a mais a serviço da sociedade. Esse meu eu é de verdade. Não se apega em hipocrisias nem se apega em falsidades. É do samba, é dá cidade, é do terreiro, é da comunidade. mas ambos me atraem, ambos fazem parte da minha verdade, ambos trazem-me grandes alegrias, tristezas e felicidades. Deus nos abençoe, eu, “somos” uma pessoa normal.
26 26UTC dezembro 26UTC 2011
Eu
Sobre Maurilio Quinteto
Sambista, integrante do Quinteto em branco e preto, musico, compositor, produtor, fundador e diretor artístico e musical da Comunidade do Samba da Vela
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25 janeiro, 2012 no 6:35 PM
Enfim saiu…rsrs
Adorei…conhecer um “eu” já é desafiador, que dirá dois…
Bju Má
N. T. E
29 dezembro, 2011 no 7:59 PM
Olá Maurilio
Ler essas palavras nos trazem tanto o sentimento de angústia como uma breve sensação de alegria.
Angústia porque reflete esse grande conflito que perdura dentro nós, temos vários “Eu” e além de serem antagônicos condenam – se constantemente, um ao outro, pelas suas atitudes.
Como resolver esse conflito? Uma grande dúvida que parece não ter fim…
A sensação de alegria é por poder compartilhar essa reflexão com outras pessoas, pois como diria Carlos Drummond de Andrade:
“…Não, meu coração não é maior que o mundo.
É muito menor.
Nele não cabem nem as minhas dores.
Por isso gosto tanto de me contar.
Por isso me dispo,
por isso me grito,
por isso freqüento os jornais, me exponho cruamente nas livrarias:
preciso de todos…”
Parabéns pelo Blog.
Felicidades para você e toda a galera do QBP.
28 dezembro, 2011 no 12:13 AM
A visão mais próxima de si que já vi alguém ter!
Que bom !
Mas já experimentou observar o semelhante ?
As outras pessoas ?
Um jogo de Xadrex constante!
Ou será pique esconde, pique tá ou pique pega ?
Brincadeira de criança ou de gente grande ?
O que importa mesmo é ir em busca do viver bem!
Depois que a gente desce do palco, primo…
Todo mundo é naturalmente normal!!!
Brindemos !
Pq se não fossem os antagonismos,
a vida não seria tão interessante!
26 dezembro, 2011 no 12:03 PM
Eu já sabia! rs
26 dezembro, 2011 no 11:19 AM
Adoro os seus eu, tanto um qnt o outro, pois vc não seria assim se não fosse eles!!! Tbm sou normal, esses conflito e cumplicidade com os meus eu é complicado. Bjão…